Ações sociais marcam história de Belo Monte

Data de Publicação: 15/09/2018

Ao final de 2017, a Usina Hidrelétrica Belo Monte já figurava entre as sete maiores geradoras de energia do país, com 13 Unidades Geradoras (UGs) em atividade comercial e capacidade instalada de 4.510 Megawatts (MW). No primeiro semestre de 2018, com 15 UGs em operação e 5.500 MW de potência instalada, a geração alcançou mais de 14 milhões de MWh. Quando todas as turbinas estiverem em funcionamento, a Usina será capaz de gerar 11.233,1 MW para atender 60 milhões de brasileiros, o que representa mais do que toda a população de países como Canadá e Argentina.

Os números relacionados a Belo Monte impressionam, mas a história desse gigante do setor elétrico não pode ser contada apenas sob a ótica da geração de energia. Deve destacar, também, as mais de 5 mil ações socioambientais realizadas, que promoveram uma verdadeira transformação social e vêm contribuindo com o desenvolvimento sustentável do Médio Xingu. No início do projeto, em 2010, a Norte Energia estimava investir R$ 3,7 bilhões em ações socioambientais. Em valores corrigidos, quando Belo Monte estiver em plena operação, mais de R$ 6 bilhões terão sido aplicados nas cidades próximas à hidrelétrica. Mas o que esse montante representa para a região?


QUALIDADE DE VIDA
O pescador Lailson Fortunato da Silva, 57 anos, é conhecido como “Barbudo do Peixe” e casado com Lucileia Gomes Ferreira. Foi no município de Vitória do Xingu, onde nasceu que, ainda menino, deu os primeiros passos na profissão do pai, Avelino Silva, para ajudar a família. Anos depois, abriu seu primeiro negócio, a “Peixaria do Barbudo”, no centro de Altamira.

Fortunato é memória viva da história de Altamira. Acompanhou de perto a implantação de Belo Monte e as primeiras reuniões com as famílias de pescadores que seriam indenizadas pela usina. “Nossas vidas mudaram radicalmente. A gente vivia em casas precárias, construídas na margem do igarapé, no meio de muita sujeira e lama. O período das chuvas parecia filme de terror. A gente tinha medo de perder nossas coisas, compradas com muito esforço”, afirma. “Era um local sujo, sem higiene, onde a gente vivia doente”.

Há quatro anos, Lailson e Lucileia moram no Reassentamento Urbano Coletivo (RUC) São Joaquim. “A casa é boa, o local é excelente e, o principal de tudo, não alaga. Com a indenização, recebi minha casa nova e montei meu comércio, onde vendo alimentos e bebidas”, explica. “Hoje em dia continuo pescando e beneficio meu produto no próprio comércio, já embalado adequadamente, seguindo todas as regras de higiene, e entrego aos meus clientes numa motocicleta, que comprei com o dinheiro da pesca”, conta.

Os cinco RUCs construídos em Altamira são um legado de Belo Monte para Altamira e hoje abrigam cerca de 20 mil pessoas (3.590 famílias) que moravam em palafitas. Um sexto RUC, com 150 casas, está em fase de conclusão. Além de serem conectados aos sistemas de tratamento de esgoto e de abastecimento de água, estes novos bairros também contam com equipamentos urbanos como escola, Unidade Básica de Saúde (UBS) e quadra de esportes.

Outra importante ação foi a implantação de um sistema de saneamento em Altamira, com investimentos da ordem de R$ 340 milhões. Atualmente, está em andamento a ligação de 18 mil imóveis às redes de água e esgoto. Se somadas as 20 mil pessoas que contam com saneamento nos RUCs, calcula-se que 90 mil pessoas, cerca de 81% da população da cidade em 2017, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sejam beneficiadas por mais esta ação da Norte Energia. 

NOVAS ÁREAS VERDES 
Para dar um novo destino às áreas que antes eram ocupadas por moradias irregulares, as palafitas, está em fase de implantação na cidade um Parque Natural Municipal com aproximadamente 940 hectares, ao longo dos igarapés Altamira, Ambé e Panelas. 

MALÁRIA ZERO
As ações de apoio à saúde pública previstas no PBA praticamente já foram concluídas pela Norte Energia. Uma delas, porém, chamou atenção da população e das administrações locais: o Plano de Ação para Controle da Malária (PACM). Tendo como premissa o diagnóstico imediato e tratamento rápido, a iniciativa criou núcleos de vigilância em áreas de difícil acesso de cada município, com enfermeiros à disposição para fazer o teste rápido e administrar o remédio ao paciente. Com isso, zerou-se o número de casos da doença nos cinco municípios vizinhos à UHE Belo Monte por dois meses consecutivos (novembro e dezembro de 2017).

CULTURA PRESERVADA
Ainda sob o guarda-chuva dos R$ 2,9 bilhões investidos nas ações socioambientais, está em fase de finalização a Casa Regional de Memória de Altamira, que funcionará como um museu da história da ocupação da região e abrigará um acervo audiovisual, composto pelos principais registros realizados pelo Programa de Patrimônio Histórico, Paisagístico e Cultural da UHE Belo Monte. O espaço cultural contará com duas salas multiuso para exposições, oficinas e palestras, museu audiovisual, auditório ao ar livre para manifestações culturais e um teatro com capacidade para 100 pessoas.

GERAÇÃO DE RENDA 
Dinamizar a economia local também é um dos compromissos da Norte Energia. Para estimular a geração de renda dos pescadores, a empresa construiu o Centro Integrado de Pesca Artesanal (CIPAR), sob a supervisão técnica da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca. O centro fica às margens do trecho urbano do Rio Xingu, em Altamira, onde antes havia palafitas. A primeira grande iniciativa associada à estrutura foi a oferta de cursos de reciclagem e de piloto de embarcação. Em parceria com a Capitania dos Portos do Amapá, 424 participantes foram capacitados e receberam habilitação oficial. 

No CIPAR será inaugurado um Mercado de Peixe com 48 boxes, fábrica de gelo para produzir nove toneladas por dia, setor de estocagem para até seis toneladas de peixe por dia, central de processamento, atracadouro e oficina de carpintaria naval. Paralelamente, a Norte Energia oferece cursos de cooperativismo e beneficiamento do pescado. São aulas teóricas e práticas sobre manejo e produção de pescado, visando a organização econômica, social e estímulo ao empreendedorismo, além de aulas alfabetização, inclusão digital, contabilidade e administração. Ao menos 100 pescadores já participaram destas ações. 

Em junho deste ano, foi criada a primeira Cooperativa de Pescadores de Belo Monte, com apoio da Norte Energia. As assembleias de votação chegaram a reunir 750 pessoas. Para o pescador de Vitória do Xingu, Giacomo Schaffer, 38 anos, seu primeiro presidente, a parceria entra para a história dos trabalhadores do Médio Xingu. “Uma cooperativa com essa dimensão ainda não havia sido criada na nossa região, pois vamos atuar em vários municípios”, afirma.

INVESTIMENTOS EM CONSERVAÇÃO
Como a principal matéria-prima da usina hidrelétrica advém de um dos maiores santuários ecológicos do Brasil, o Rio Xingu, a Norte Energia investiu na ampliação do conhecimento técnico-científico para conservação da biodiversidade aquática da Amazônia. Foram instalados dois laboratórios no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) em Altamira, que credenciaram a instituição a se transformar em um centro de referência para estudos da ictiofauna do baixo e médio Xingu e da aquicultura de peixes ornamentais na região Norte. A reprodução em cativeiro de uma espécie de peixe ornamental típica da região do Xingu considerada vulnerável, o acari zebra, é consequência desta ação. O Tabuleiro do Embaubal, importante berço de quelônios, também recebe atenção especial da Norte Energia. Nos últimos seis anos, mais de 3,2 milhões de filhotes de tartarugas-da-Amazônia, pitiús e tracajás foram soltos na natureza.

Para conservação da flora, a Companhia mantém ações para produção de mudas a partir de sementes de espécies nativas coletadas no entorno da obra. A principal forma de conservação desse patrimônio genético tem ocorrido por meio do plantio dessas árvores na recomposição da vegetação no entorno dos reservatórios, além de ter embasado produção de conhecimento científico de instituições nacionais e internacionais. Programas de educação ambiental e uso consciente dos recursos naturais integram essas iniciativas. Foi criado, por exemplo, com apoio da empresa e de educadores ambientais populares, o Centro Regional de Educação Ambiental do Xingu (CREAX). Em atividade desde 2015, o CREAX atua de forma independente e participa da agenda regional de discussões sobre a temática ambiental.

POVOS INDÍGENAS
As ações desenvolvidas junto às comunidades indígenas seguem o preconizado no Plano Básico Ambiental – Componente Indígena (PBA-CI). Composto por 11 programas e 27 projetos, é direcionado a uma população de aproximadamente quatro mil indígenas de nove etnias. Eles habitam uma área com cerca de cinco  milhões de hectares, distribuídas em 12 terras indígenas. A partir destas ações, a Norte Energia realiza obras de infraestrutura nas aldeias (Unidades Básicas de Saúde, Escolas, Sistema de Abastecimento de Água e Melhorias Sanitárias Domiciliares, entre outras). Na cidade de Altamira, a empresa ampliou e revitalizou a Casa do Índio e está concluindo a obra para nova sede da Fundação Nacional do Índio (Funai). 

Além disso, foi estruturado de sistema de radiofonia que permite a interação entre as comunidades indígenas e garante a comunicação desses grupos com a empresa. A atividade é acompanhada pela Funai e o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), que também utilizam este canal com os povos indígenas. 

O Programa de Educação Escolar Indígena (PEEI) e o Programa de Patrimônio Cultural Material e Imaterial têm apoiado a elaboração e publicação de cartilhas de Letramento e Oralidade, como material didático para escolas indígenas, elaborados pelos próprios indígenas e com acompanhamento da Secretaria Municipal de Educação de Altamira e da Funai. Como resultado do PBA-CI, o Programa de Patrimônio Cultural Material e Imaterial desenvolveu, até 2017, atividades para fortalecer a cultura dos povos indígenas, para estimular a produção e transmissão de saberes tradicionais destes povos.
 

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