Histórias de vida na Vila da Ressaca

Data de Publicação: 15/09/2018

 

Nas décadas de 1960 e 1970, uma região isolada, chamada Vila da Ressaca, no meio da Volta Grande do Xingu, pertencente ao município de Senador José Porfírio, no Sudoeste paraense, era habitada por cerca de 6 mil pessoas. Um número significativo, levando-se em consideração as condições de acesso e infraestrutura do lugar. A corrida do ouro e de outros metais cobiçados justificaram a chegada de aventureiros de todas as partes do país em busca da oportunidade de enriquecer com o garimpo. 

Cinco décadas depois, hoje o lugar possui pouco mais de 200 casas, e se configura como uma das mais importantes comunidades da Volta Grande do Xingu. Com a implantação da Usina Hidrelétrica Belo Monte, recebeu investimentos nas áreas de educação, saneamento e saúde. Além das obras estruturantes, a localidade também foi escolhida para receber o Núcleo de Comunicação da Volta Grande do Xingu, importante espaço de diálogo e interação entre os moradores e a Norte Energia.

Entre projetos futuros e lembranças de um passado distante, dona Noca, seu Pirulito e seu Lauro, alguns já com idade avançada, contam um pouco da vida na região. 

INCANSÁVEL 
Com 8 filhos, 17 netos e 12 bisnetos, a piauiense Joana Ferreira Brito, é uma guerreira. Aos 78 anos, dona Noca, como é carinhosamente chamada pelos familiares e vizinhos na Vila da Ressaca, onde vive há três décadas, confidencia, com um sorriso inesperado, a saudade de boa parte da família que optou por tocar a vida longe do garimpo e da comunidade. “Ainda hoje, só uma menina vive comigo. Os netos e bisnetos foram para Altamira e para o Piauí”. 

DAS PEDRAS PARA A TESOURA
Quando Laurindo Antônio Costa mudou-se do Maranhão para a Vila da Ressaca, há 35 anos, também com a intenção de fazer fortuna, muitos dos companheiros desconheciam a preocupação que ele tinha com a aparência. Dentro do possível, entre uma garimpagem e outra, ele não descuidava do visual. “Era vaidoso e persistente”, confessa seu Lauro, como é conhecido entre os atuais clientes. Aos 78 anos, o primeiro garimpeiro da Ressaca e ex-proprietário de uma mercearia na vila, ganha hoje a vida como cabeleireiro. 
 

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