Indígenas do Médio Xingu lançam Planos de Vida em Altamira, no Pará

Data de Publicação: 04/11/2021 15:00

Indígenas do Médio Xingu apresentaram na última semana, em Altamira, sudoeste do Pará, os Planos de Vida, publicações em formato de cartilha contendo reflexões e estratégias a serem adotadas para promover a proteção, recuperação, conservação e o uso sustentável dos recursos naturais das terras e territórios indígenas da região. O trabalho é fruto do diálogo entre os povos indígenas e a Norte Energia, empresa privada e concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, em atendimento às diretrizes da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), do Governo Federal.

São oito publicações, uma para cada terra indígena, que abordam temas como saúde, educação, moradia, profissionalização, alternativas econômicas e fortalecimento histórico e cultural, com sugestões de projetos e ações de curto, médio e longo prazo para tais temáticas, sugeridas pelos próprios indígenas. O trabalho foi consolidado após a realização de 28 oficinas, que reuniram mais de 550 indígenas do Médio Xingu, pertencentes aos povos das terras indígenas Apyterewa, Arara, Cachoeira Seca, Kararaô, Kuruaya, Trincheira Bacajá, Xipaya e os indígenas moradores da região de Altamira (citadinos e ribeirinhos) - todos localizados na área de influência da UHE Belo Monte. 

“É uma ferramenta muito importante e que a gente almejava há anos. Não é um simples papel, é um documento que nos representa e nos deixa muito honrados”, destacou Jordy Xipaya, presidente da Associação Takurarê.  Já o indígena Bep Kamati Xikrin, da Terra Indígena Trincheira Bacajá, destacou o valor dos Planos para as futuras gerações. “É importante para defender nosso território, nosso rio e futuro dos nossos filhos”, comentou. Ambos participaram dos diálogos organizados pela Norte Energia para a elaboração das edições.

A coordenadora substituta da Fundação Nacional do Índio (Funai), regional Centro-leste, sediada em Altamira, Donária Souza Silva, também destacou o benefício dos Planos de Vida para as gerações futuras. “Fica registrado o que pode ser benéfico para as comunidades. É um trabalho que vai ficar para a história e servirá como uma linha do tempo desses povos”, explicou.

De acordo com a gerente socioambiental do Componente Indígena da Norte Energia, Nina Fassarella, a publicação dos Planos de Vida é parte dos compromissos da empresa com os povos da região. “É um marco histórico para os indígenas do Médio Xingu e reforça, sobretudo, o diálogo e o intercâmbio de conhecimentos entre a empresa e as comunidades que vivem no entorno da UHE Belo Monte”.