Investimento em pesquisa científica potencializa monitoramento e reprodução de peixes do Xingu

Data de Publicação: 09/05/2022 16:33

Concessionária da UHE Belo Monte implantou laboratórios que fomentam projetos locais para a conservação das espécies

Dois laboratórios exclusivamente dedicados ao estudo dos peixes do rio Xingu. Este é um dos legados da implantação da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no sudoeste do Pará, que fomentam a pesquisa na região e o conhecimento científico sobre a Amazônia. Construídos e equipados pela Norte Energia, empresa privada que é concessionária da hidrelétrica, os laboratórios estão situados no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira.

Neles, pesquisadores paraenses e de outras regiões do país desenvolvem pesquisas inéditas, realizam estudos e elaboram protocolos de reprodução de peixes, aplicando técnicas de aquicultura para a formação de um acervo que guarda registros de espécies da região.

O professor e biólogo da UFPA, Leandro Melo de Souza, que coordena as atividades nos laboratórios, destaca que, além de contribuir com a conservação das espécies, contar com uma estrutura dessa na região traz outros ganhos. “O trabalho realizado hoje, com toda a estrutura existente, é referência no estudo da ictiofauna amazônica, em especial do Xingu. Tem muita pesquisa boa sendo feita que agrega recursos humanos locais e colabora com a formação de novos profissionais com olhar voltado à questão ambiental, além de produzir conhecimentos científicos inéditos”, destaca.

Os laboratórios possuem espaço para exposição de peixes, aberto à visitação pública - o que, segundo o professor, desperta o interesse de estudantes para o ramo da biologia. Uma das espécies monitoradas e expostas é o Acari Zebra, que, atualmente, se encontra ameaçada de extinção por conta do contrabando para fins ornamentais, dado seu alto valor de mercado. O pesquisador assegura que a existência dos laboratórios pode garantir a preservação do Acari Zebra. “Um dos nossos objetivos, aqui, é a reprodução em cativeiro, o que já conseguimos com bastante sucesso. Outro é promover a educação ambiental, mostrando para a população local a importância dessa espécie”, ressalta Leandro.

O professor destaca ainda que os laboratórios beneficiam não só a comunidade acadêmica, mas toda a região. “O papel da empresa foi importante, primeiro pela própria construção dos dois laboratórios que subsidiaram muitos outros trabalhos. Uma vez que você tem esses espaços na universidade, toda comunidade científica acadêmica usufrui deles e os transformam num núcleo onde as ações vão se concentrando. Então, sempre que alguém lá fora pensar no Xingu, provavelmente vai lembrar do nosso nome. Essa é uma contribuição muito importante que a empresa propiciou”, observa.

De acordo com o Gerente de Monitoramento Socioambiental da Norte Energia, Roberto Silva, o investimento nos laboratórios é alinhado ao compromisso da empresa de proteção do rio Xingu. “Ao estabelecermos esta parceria com a UFPA fortalecemos não somente o conhecimento científico sobre a ictiofauna na Amazônia, mas deixamos como legado o apoio à ciência brasileira e à formação de profissionais e pesquisadores na região, beneficiando também as gerações futuras”, declara.