Norte Energia e UFPA implantam primeiro “corredor verde” de mobilidade elétrica do Pará

Data de Publicação: 12/04/2022 14:00

Em fase experimental, iniciativa da empreendedora da UHE Belo Monte, em parceria com a UFPA, vai interligar os campi de Belém e Castanhal com ônibus movidos à eletricidade.

Investir em pesquisa para criar soluções que melhorem a qualidade de vida das pessoas e contribuam para a conservação do meio ambiente. É o objetivo de uma parceria entre a Norte Energia, empresa privada e concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte e a Universidade Federal do Pará (UFPA), que está desenvolvendo um sistema de mobilidade multimodal inovador com veículos movidos à eletricidade. Os primeiros veículos são dois ônibus elétricos, que começaram a ser utilizados, em fase experimental, para fazer a interligação entre os campi da instituição de ensino em Belém e Castanhal, implantando o primeiro “corredor verde” do Pará.

Os ônibus fazem parte do Sistema Inteligente Multimodal da Amazônia (SIMA), que é resultado de um projeto de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) da Norte Energia, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). O projeto conta com uma equipe multidisciplinar, formada por 19 pesquisadores bolsistas a universidade e 15 voluntários, que participa de todas as etapas de desenvolvimento do sistema. 

Os veículos são usados como “circular” no campus Guamá, em Belém e no transporte de professores e estudantes da capital ao campus Castanhal. A bateria dos ônibus é carregada durante à noite, contando para isso com estações de recarga elétrica (eletropostos), instaladas nos dois campi. Futuramente, o SIMA também vai contar com um barco elétrico equipado com painéis fotovoltaicos para geração de energia solar, que darão à embarcação uma autonomia de até seis horas. O “Catamarã Solar”, que já está sendo projetado pelos pesquisadores, terá capacidade para transportar até 20 passageiros. 

Para a professora titular da UFPA e coordenadora do SIMA, Maria Emília Tostes, o projeto traz um novo conceito de mobilidade para a região amazônica, com substituição dos combustíveis fósseis, que são mais poluentes, por energia elétrica, limpa e renovável, proporcionando grandes benefícios econômicos e ambientais, como a descarbonização. “Estamos trazendo como legado um modelo de negócio que pode ser replicado em Belém ou em qualquer outra cidade de médio ou grande porte ou empresa que quiser investir em mobilidade elétrica com sustentabilidade, com uso de uma fonte renovável de energia como a solar fotovoltaica. É um modelo que traz mais qualidade de vida para a população e impacta menos o meio ambiente”, explica Tostes.

A professora destaca a importância da parceria com a Norte Energia para investimento no projeto. “Este é um projeto que vai muito além de ônibus e barco elétrico. Nós estamos estudando a eficiência deste sistema na região amazônica. A UFPA foi atrás de parceiros e encontrou a Norte Energia, que realmente abraçou a causa conosco para trazer a mobilidade elétrica para a região Norte”, comenta.

A gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Norte Energia, Andréia Antloga do Nascimento, ressalta que o SIMA tem potencial para desenvolver o mercado de eletromobilidade no Pará de modo eficiente e sustentável, beneficiando não somente o meio acadêmico, mas toda a sociedade. “Os projetos de P&D da empresa estão em concordância com as demandas do mercado e entidades reguladoras, mas vão além. Todo o trabalho realizado a partir do SIMA envolve uma diversidade imensa de técnicas e estudos, desenvolvidos por pesquisadores e estudantes do Pará. Ao financiar o projeto, fomentamos o desenvolvimento científico na região e colocamos à disposição de toda a população alternativas de eficiência e gestão energética, contribuindo com a qualidade de vida das pessoas e refletindo diretamente na preservação do meio ambiente”, conclui.

Edifício Zero Energy

O projeto desenvolvido pela Norte Energia e UFPA também contempla a implantação de um sistema fotovoltaico no edifício Mirante do Rio, localizado no bloco de ensino da UFPA, para atender parte da demanda de energia do prédio, buscando autossuficiência ao configurá-lo como um Edifício “Zero Energy”. O edifício Mirante do Rio obteve sua avaliação quanto à eficiência do sistema de iluminação para recebimento do selo Procel Edifica.