O cacau é nosso

Data de Publicação: 15/09/2018

Eu só quero chocolate! Este é o refrão de uma famosa música do compositor Tim Maia, que sintetizou nessas quatro palavras uma paixão cultivada, e saboreada, por milhões de pessoas. Seja amargo e suas derivações, ao leite, branco, quente ou frio, ele está na mesa de todos. As receitas variam, mas a base é uma só: o cacau. Se o chocolate é um produto sagrado para muita gente, o cacau, segundo os historiadores, era de origem divina para seus primeiros cultivadores, Maias e Astecas, que habitaram as regiões do México, América Central e Bacia Amazônica, muito antes dos europeus desembarcarem nas Américas. Numa viagem rápida pelo tempo, o plantio do cacau começou, no Brasil, pelo Sul da Bahia, no século XVIII. No Pará, foram feitas tentativas por este período da nossa história, sem muito sucesso. Mas isso mudou. O Estado é, hoje, o maior produtor brasileiro, superando a Bahia. A cultura cacaueira nasceu e se desenvolveu nas terras do Médio Xingu, nas últimas décadas, margeando a rodovia Transamazônica.  
 
Com apoio técnico, os produtores da região têm em mãos uma semente poderosa, de alta performance e aproveitamento. Segundo a Comissão Executiva do Plano Lavoura Cacaueira (Ceplac), ligada ao Ministério da Agricultura, as plantações se espalham por 175 mil hectares da região paraense. Como a produtividade é, hoje, parte significativa da alma do negócio, por lá são colhidos 900 quilos do fruto por hectare. Para efeitos de comparação, a Bahia, que até 2016 era o maior produtor brasileiro, embora tenha 480 mil hectares de área plantada, produz 300 quilos por hectare.    
 
No Pará, a cultura cacaueira é desenvolvida em pequenas e médias propriedades nos municípios de Altamira, Medicilândia, Vitória do Xingu, Pacajá, Anapu, Senador José Porfírio, Brasil Novo e Uruará, representando mais de 90% da produção do Estado, revelam os números da Ceplac. Esta performance conferiu à região o título de Rota do Cacau da Transamazônica. Medicilândia é o maior produtor local, seguido de Uruará e Altamira.
 
Beneficiado pelo Projeto Alternativo de Cacau, iniciativa da Norte Energia, o agricultor Josué Costa, 31 anos, revela que os pés do fruto se multiplicaram em sua propriedade, em Vitória do Xingu, após seguir as orientações dos técnicos do programa. Morador do Reassentamento em Áreas Remanescentes (RAR), próximo ao KM 27, da Tranzamazônica, ele produz 1.500 quilos de cacau na safra (junho e julho) e 600 na entressafra (agosto a maio), escoando toda a produção para compradores de Altamira e região. 
 
“Aprendi técnicas de poda e adubação e pretendo me especializar ainda mais na lavoura, para gerar mais renda e proporcionar mais conforto para a minha família”, diz Josué. Antes de ser remanejado para o RAR, durante a construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, o agricultor vivia na Comunidade Palhal, na Ilha Asurini, dentro da região Oeste do Pará.
  
Tecnologia 
De acordo com a Ceplac, dos 24.009 produtores de cacau do Pará, mais da metade (12.854) atua na região do Xingu. "Uma das ações da entidade é produzir sementes melhoradas geneticamente e repassá-las para os agricultores. Na região do Xingu já foram distribuídas sete milhões delas", afirma Paulo Henrique Santos, coordenador da Regional Transamazônica da instituição. Segundo ele, o laboratório da Ceplac em Medicilândia, desenvolve a tecnologia desde 1957. Os agricultores dos reassentamentos e residentes de áreas de preservação permanente demarcadas pela Norte Energia, em atendimento ao Projeto Básico Ambiental da UHE Belo Monte, recebem o material gratuitamente. “Trata-se de uma semente modificada a partir de matrizes que reúnem 12 materiais de alta qualidade, o que confere a ela uma performance diferente dos tipos comuns. Com essa técnica, alcançamos a maior parte dos plantios da região, dando às lavouras paraenses maior produtividade com um fruto resistente e de qualidade", explica Santos.
 

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