O desafio de operar Belo Monte

Data de Publicação: 15/09/2018


A operação de uma usina hidrelétrica não é uma tarefa simples, e não é feita por apenas um profissional, uma só empresa ou instituição. É um trabalho complexo e em tempo real que envolve, além da equipe do próprio empreendimento, o Operador Nacional do Sistema (ONS), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e outros intervenientes externos.

Muitas variáveis são consideradas por esses atores, dentre elas a quantidade de chuvas na bacia hidrográfica, a previsão hidrológica, o nível dos reservatórios e o consumo de energia nas mais diferentes regiões do país. 

Em se tratando de Belo Monte essa tarefa se torna ainda mais desafiadora. 

Essa gigante do setor elétrico é, na verdade, um complexo formado por duas Casas de Força independentes, com dois reservatórios interligados por um Canal de Derivação com 20 quilômetros (km) de extensão, e um Vertedouro com 18 comportas em pleno Rio Xingu. Usina a fio d´água, o empreendimento também controla o volume de água liberado para um Trecho de Vazão Reduzida com mais de 100 quilômetros, onde habitam comunidades aquáticas e famílias ribeirinhas que dependem de suas águas. Administrar todos esses aspectos exige uma atenção constante. 

De praxe, uma hidrelétrica opera de acordo com as determinações do ONS, que sinaliza a quantidade de energia que a usina deve gerar. Mas o empreendedor também tem autonomia para propor um planejamento de geração ou atender a solicitações de outros intervenientes.

Quando o operador envia um comando ou autoriza a geração programada pelo empreendedor, entram em ação os profissionais responsáveis pela operação da Usina. Por meio de painéis de controle de alta tecnologia, eles acionam, regulam a produção ou desligam as Unidades Geradoras (UGs) instaladas nas Casas de Força.

Da Casa de Força Principal, a energia segue para a Subestação (SE) Xingu, que é a conexão da Usina com o Sistema Interligado Nacional (SIN) e marca o início do “Linhão Xingu/Estreito”. Com mais de 2 mil km, o Linhão leva a produção de Belo Monte para a região Sudeste do Brasil e não é operado pela Norte Energia, mas por outras empresas. A SE Xingu ainda conta com outras linhas de transmissão que direcionam a energia gerada em Belo Monte para a região Norte e Nordeste do país.

A Casa de Força Complementar (em Pimental), por sua vez, é conectada à SE Altamira, que pertence à Eletronorte e abastece a região Oeste do Pará, incluindo Altamira. Respondendo a um questionamento muito comum, a energia gerada em Belo Monte chega, sim, às casas dos paraenses. E para que isso ocorra, a estrutura possui uma linha de transmissão com cerca de 600 km de extensão que leva energia para quase 700 mil pessoas.

O final de 2019 entrará para a história da UHE Belo Monte, pois será o ano em que o Brasil todo receberá eletricidade produzida a partir das águas do Rio Xingu, uma missão que resulta da soma da energia gerada não somente por grandes turbinas, mas também pelo esforço de centenas de trabalhadores que se dedicam diuturnamente para alcançar este marco. Operar Belo Monte é um grande desafio. E superar grandes desafios é a nossa especialidade. 

* Humberto Nobrega é engenheiro eletricista com mais de 40 anos de atuação no setor elétrico. Entre os empreendimentos que já trabalhou estão UHE Xingó, UHE Paulo Afonso 4 e UHE Santo Antônio. Atualmente é superintendente de Operação e Manutenção da UHE Belo Monte.

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