Projeto promove soltura de filhotes de quelônios no Rio Xingu

Data de Publicação: 14/12/2021 14:00

Mais de 3,8 mil filhotes de quelônios foram soltos no rio Xingu por empregados da Norte Energia e pela equipe do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) no último fim de semana, durante a 4ª edição do projeto “Tartarugas do Xingu”. Trata-se de uma ação voluntária organizada pela empreendedora da Usina Hidrelétrica Belo Monte que busca proteger os animais de predadores e dos efeitos da subida natural do rio Xingu. As atividades de manejo ocorreram no Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Tabuleiro do Embaubal, localizado no município de Senador José Porfírio, sudoeste do Pará, uma das principais áreas de reprodução das espécies Tartaruga-da-Amazônia, Pitiú e Tracajá. 
 
Na ação, que seguiu todas as orientações de distanciamento social e higienização, por conta da Covid-19, os voluntários foram orientados sobre como realizar o manejo dos filhotes, desde a retirada dos ninhos até o momento da liberação dos animais nas águas do rio Xingu, em local que propicie maior abrigo quanto aos predadores naturais.
 
“Foi uma experiência única. É a primeira vez que participo do projeto, conhecendo as espécies e o trabalho feito aqui. Para mim é um orgulho colaborar e com certeza virei mais vezes”, afirmou o voluntário Décio Santos, que ajudou a salvar centenas de filhotes durante a ação. Outro voluntário que dedicou o fim de semana à proteção dos quelônios no Tabuleiro do Embaubal foi Eduardo Dantas. “É importante estar aqui, como voluntário e ver de perto as ações que a empresa está tomando para a preservação do meio ambiente", ressaltou Dantas. Nos próximos dias 18 e 19 de dezembro, novos grupos participarão do voluntariado, contribuindo para a proteção das espécies durante o auge do nascimento dos filhotes.
 
O projeto de voluntariado Tartarugas do Xingu chega em seu 4º ano, porém a Norte Energia desenvolve o Programa de Conservação e Manejo de Quelônios na região desde o ano de 2011. Mais de 5 milhões de filhotes foram manejados e devolvidos à natureza neste período. Entre as atividades desenvolvidas pela empresa está o manejo dos ninhos, o que inclui demarcação para proteger a área e monitorar as condições naturais de reprodução. 
 
“É satisfatório ter o apoio de voluntários interessados em ajudar no manejo de filhotes de tartaruga-da-Amazônia, tracajá e pitiú nessa ação de conservação que visa possibilitar que o maior número possível de filhotes inicie a sua vida no rio Xingu”, disse o gerente de monitoramento socioambiental da Norte Energia, Roberto Silva.
 
Outra frente do projeto conta com fiscalizações diárias feitas pelos profissionais do Ideflor-Bio, parceiro do projeto, envolvendo populações próximas. “Desde 2019, em um ato de conciliar todos os desafios, tendo a Norte Energia como parceira, nos fizeram compreender a importância de ‘fechar gargalos’ diante da ação predatória e conscientizar ainda mais a comunidade do entorno”, comentou a presidente do Ideflor-Bio, Karla Bengtson, que esteve presente na ação voluntária.
 
Monitoramento via satélite
 
O monitoramento de quelônios realizado pela Norte Energia constatou que muitas das tartarugas-da-Amazônia se deslocam de grandes distâncias. É o caso da tartaruga Juquiri, uma fêmea adulta que mede 77cm de comprimento e pesa 44kg, localizada pela primeira vez em outubro de 2014 e que retornou ao Tabuleiro do Embaubal este ano para se reproduzir.
 
Na época, ela recebeu um transmissor de monitoramento via satélite, que detectou o seu retorno à área de alimentação, no Rio Acaraí, localizado a 120 km abaixo do Tabuleiro e próximo à foz do rio Xingu, no Rio Amazonas.
 
“Esse resultado demonstra que a Juquiri é uma sobrevivente à grande pressão de caça que ocorre na região e confirma a manutenção das rotas de migração, bem como a conservação ambiental dos sítios reprodutivos no Tabuleiro do Embaubal, já que ela retorna à área para garantir que seus filhotes nasçam em um local adequado à sua sobrevivência”, explica Roberto Silva.
 
Há outras tartarugas-da-Amazônia que migram por até 700km, saindo da Ilha do Marajó, do município de Almeirim, e da foz do Rio Tocantins, no Pará, para desovar no Tabuleiro do Embaubal. Já os tracajás são residentes da região do Xingu e reproduzem-se nas praias e nos barrancos próximos aos locais de alimentação.